мє αηd мysєłf

мє αηd мysєłf

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

"Florbela Espanca"

Eu sou feita de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos.

Sou feita de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão.

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci.

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por um instante.

Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não prometidas.

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar.

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei.

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

























No dia em que passares
sem que eu me vire para te olhar,
é motivo para pensares,
que deixei de te amar.

É que o olhar indiferente
dói mais que uma bofetada;
é desprezo de um ser ausente,
é não sentir absolutamente mais nada.


E se mais nada sinto,
pensa bem no que passou,
não era amor, não minto,
a paixão que nos enlaçou.

Tu feriste, espezinhaste,
com tamanha dimensão,
que contigo levaste
o meu triste coração.

Neste momento ficou vazio
das emoções que senti,
ficou duro, só e frio,
sem nada do que vivi.

E se o que vivi é nada,
nada agora e para sempre,
é porque para a alma despedaçada,
tornou-se tudo indiferente.

E se um dia te atreveres
a bater de novo à porta,
crê: é melhor esqueceres,
o amor nunca existiu
e a saudade é ela morta,
porque o nosso amor ruiu.


APENAS DOR

Nossas sombras já não mais as mesmas
Uma ao lado da outra,
Trazendo pequenas lembranças
A vida é o sangue de nossas lágrimas...

O tempo transpira dor,
Se um dia eu pudesse,
Pudesse voltar a viver,
Para uma nova vida,
Faria tudo errado novamente.

Escura e sombria chama que apaga a fagulha
Traga-me o punhal,
Para eternizar minha marca.
 

Eu tenho pena da Lua!
Tanta pena, coitadinha,
Quando tão branca, na rua
A vejo chorar sozinha!...


As rosas nas alamedas,
E os lilases cor da neve
Confidenciam de leve
E lembram arfar de sedas


Só a triste, coitadinha...
Tão triste na minha rua
Lá anda a chorar sozinha ...


Eu chego então à janela:
E fico a olhar para a lua...
E fico a chorar com ela! ...

VAMPIRO

Tu que, como uma punhalada
Invadiste meu coração triste,
Tu que, forte como manada
De demônios, louca surgiste,

Para no espírito humilhado
Encontrar o leito ao ascendente,
- IInfame a que eu estou atado
Tal como o forçado à corrente,

Como a seu jogo o jogador,
Como à garrafa o beberrão,
Como aos vermes a podridão
- Maldita sejas, como for!

Implorei ao punhal veloz
Dar-me a liberdade, um dia,
Disse após ao veneno atroz
Que me amparasse a covardia.

Mas não! O veneno e o punhal
Disseram-me de ar zombeiro
"Ninguem te livrará afinal
De teu maldito cativeiro

Ah! imbecil-de teu retiro
Se te livrássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadaver de teu vampiro!"
Charles Baudelaire

Agora só escuto teu som de anjo
E na letra miúda do teu querer-me
Recolho-me em tuas asas
Sou só um retalho de sonho
Num céu abstrato- um verso profano-

A dor é bela e sentida
Um mar de ondas de veludo
O archote é luz esbatida
Num peito que chora
Apenas a descrença da sobrevida
Anseio-te e é dor medrosa
Um rasgo na pele
Um talho de solidão ferida.


Na calada da noite sinto a tua vigia,
Que pulsa em todo o meu ser,
Que ecoa com os sons mais frios da poesia,
Nas lacunas da escuridão do meu querer…


E são constantes os toques do meu viver,
Que queimam inspirando o teu olhar,
Que obriga o meu corpo a morrer,
Pelo veneno que escoa no beijo que me queres dar,
Com o sangue entoando o ofuscar.


Verti outrora lágrimas com a loucura a desabrochar,
O pano caía e eu mais e mais queria,
Desse olhar que me esmagava ao tentar violar,
Que bebia todo o sangue com a ousadia,
De um insano que me desejava acordar!


Na calada da noite já senti vezes sem conta a tua vigia,
Sem se quer me importar,
Quem precisa de anjos e da alegria?
Contigo são incoerente que me quer sugar,
Toda a vida por um desprazer que anseio optar!

'Você se foi e nos deixou só saudades...'

                                 Aves noturnas...

                               aves noturnas esvoaçam
                             pensamentos que não dormem...
                              comem em minhas mãos frias,
                            migalhas de fantasias...
      

                                               falam das andanças,

                            sombrias danças,

                                                     fantasias mortas,

                           apostas perdidas,

                                                           idas sem volta,
                                                 

                                                   ...feridas sem cura!

Me and Myself

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Hoje,
Sou criança num corpo crescido...
Navego imensa com as velas içadas,
Sobre um oceano
nem sempre calmo e tranquilo,
nem sempre colorido e divertido
mas tão meu...

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