мє αηd мysєłf

мє αηd мysєłf

Raul Seixas

A solução pro nosso povo
Eu vou dá
Negócio bom assim
Ninguém nunca viu
Tá tudo pronto aqui
É só vim pegar
A solução é alugar o Brasil!...

Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
É tudo free!
Tá na hora agora é free
Vamo embora
Dá lugar pros gringo entrar
Esse imóvel tá prá alugar
Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!...

Os estrangeiros
Eu sei que eles vão gostar
Tem o Atlântico
Tem vista pro mar
A Amazônia
É o jardim do quintal
E o dólar dele
Paga o nosso mingau...

Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
É tudo free!
Tá na hora agora é free
Vamo embora
Dá lugar pros gringo entrar
Pois esse imóvel está prá alugar
Alugar! Ei!
-Grande Solução!...

Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
Agora é free!
Tá na hora é tudo free
Vamo embora
Dá lugar pros outro entrar
Pois esse imóvel tá prá alugar
Ah! Ah! Ah! Ah!
Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
Agora é free!
Tá na hora é tudo free
Vamo embora
Dá lugar pros gringos entrar
Pois esse imóvel
Está prá alugar...

Está Prá Alugar Meu Deus!
Nós não vamo paga nada!
Nós não vamo paga nada!
É tudo free!
Vamo embora!

Raul Seixas


Você é um pé de planta
Que só dá no interior
No interior da mata
Coração do meu amor
Você é roubar manga
Com os moleques no quintal
É manga rosa, espada
Guardiã no matagal
Qual flor de uma estação
Botão fechado eu sou
Se amadurecendo
Pra se abrir pro meu amor
Qual flor de uma estação
Botão fechado eu sou
Se amadurecendo
Pra se abrir pro meu amor
Úmida de orvalho
Que o sol não enxugou
Você é mata virgem
Pela qual ninguém passou
É capinzal noturno
Escuro e denso protetor
De um lago leve e morno
Teu oásis seu amor
Qual flor de uma estação
Botão fechado eu sou
Se amadurecendo
Pra se abrir pro meu amor
qual flor de uma estação
Botão fechado eu sou
Se amadurecendo
Pra se abrir pro meu amor
Úmida de orvalho
Que o sol não enxugou
Você é mata virgem
Pela qual ninguém passou
É capinzal noturno
Escuro e denso protetor
De um lago leve e morno
Teu oásis seu amor.


Habita-me um universo em expansão
Big
bang no peito

Galáxias na mente
Cometas traçando desenhos no corpo
Minha órbita é poética
Atraída pela densa gravidade das palavras
Louca nave
Gerando estrelas e letras
Flores no cosmo
Aquecendo a alma
Do frio do espaço
Sonhando com um planeta distante
De quimeras brilhantes
E desejo incessante
De zarpar e sumir
Pelo mar da tranquilidade
Além do horizonte lunar...

 
Eu vi crianças nuas
A rir e a brincar
Atravessando ruas
Vi os pais chorar
Eu vi crianças nuas
Com cus tão vermelhos
Atravessando ruas
Sem ouvirem conselhos…
Eu vi crianças nuas
Com sono… já se vê
Atravessando ruas
Sem saberem porquê
Eu vi crianças nuas
Fugindo das buzinas
Atravessando ruas
Virando as esquinas
Eu vi crianças nuas
Ó magra tristeza
Atravessando ruas
À espera de mesa.
Eu vi crianças nuas
Sonhando com fadas
Atravessando ruas
Descalças nas estradas
Eu vi crianças nuas
E os ricos às janelas
Atravessando ruas
Que lucro dão elas?
Eu vi crianças nuas
Em coro a chorar
Atravessando ruas
Sentias a cantar
“Aquela criança nua
Com o rostito chorão
Tinha por vontade sua
Não viver como um cão”
12/1973
“Na minha Rua
Havia crianças nuas
Olhando as outras…
Com horas
A brilharem ao sol…”
1968
Rogério Simões


Sinto saudades do que nunca tive em minhas mãos. Ela aflora tomando lugar em mim dando vazão ao desespero. Como já lhe quis! Estás tão longe! Já posso ver meu reflexo nas lágrimas que se acumulam a meus pés, como em frente a um espelho quebrado vejo-me em pedaços. Encolho-me e me enrolo, choro. Os lençóis brancos estendidos no quintal trazem a recordação do que nunca aconteceu… Sonhos, devaneios apenas, mas tão reais! Como a lembrança daquela rosa que não me destes, mas que posso sentir o perfume e a dor ao espetar meus dedos em seus espinhos, assim como a sensação de seus olhos profundos prendendo os meus e o sabor da lágrima do adeus. Ao relento, vislumbro as constelações no céu, seu sorriso se abre pra mim reluzente como a via Láctea e o frescor da noite acaricia meu rosto como se fosse seu hálito, tão próximo, tão extasiante, inspiro sentindo o bouquet que me atordoa.

Quando foi que me viciei no que nunca provei? Mas se não fosses vício, não sentiria abstinência nem reações colaterais recorrentes dessa ausência. Meu coração bate descompassado, parece que vai falhar e então prova mais dessa lembrança inventada passando a fluir seus batimentos como asas de colibri. Talvez eu me torne um colibri, ou alguma ave migratória e podendo voar arranque essa distância pela raiz, mesmo que ao findar a viagem, caia a seus pés, cansada e ferida ansiando que me acolhas, afague-me e sinta ao menos, pena daquela que personificou o significado da palavra saudade.


O substantivo
É o substituto do conteúdo

O adjetivo
É a nossa impressão sobre quase tudo

O diminutivo
É o que aperta o mundo
E deixa miúdo

O imperativo
É o que aperta os outros e deixa mudo

Um homem de letras
Dizendo idéias
Sempre se inflama

Um homem de idéias
Nem usa letras
Faz ideograma

Se altera as letras
E esconde o nome
Faz anagrama

Mas se mostro o nome
Com poucas letras
É um telegrama

Nosso verbo ser
É uma identidade
Mas sem projeto

E se temos verbo
Com objeto
É bem mais direto

No entanto falta
Ter um sujeito
Pra ter afeto

Mas se é um sujeito
Que se sujeita
Ainda é objeto

Todo barbarismo
É o português
Que se repeliu

O neologismo
É uma palavra
Que não se ouviu

Já o idiotismo
É tudo que a língua
Não traduziu

Mas tem idiotismo
Também na fala
De um imbecil


Per il mio cuore basta il tuo petto,
per la tua libertà bastano le mie ali.
Dalla mia bocca arriverà fino in cielo
ciò che stava sopito sulla tua anima.

E' in te l'illusione di ogni giorno.
Giungi come la rugiada sulle corolle.
Scavi l'orizzonte con la tua assenza.
Eternamente in fuga come l'onda.

Ho detto che cantavi nel vento
come i pini e come gli alberi maestri delle navi.
Come quelli sei alta e taciturna.
E di colpo ti rattristi, come un viaggio.

Accogliente come una vecchia strada.
Ti popolano echi e voci nostalgiche.
Io mi sono svegliato e a volte migrano e fuggono
gli uccelli che dormivano nella tua anima.

'Pablo Neruda'


Às vezes é necessário retroceder
Para não se perder.
De forças se revestir
Para não desistir...
É preciso caminhar sobre espinhos
Para direcionar os passos...
É preciso solidão
Pra se querer um abraço.
É preciso, do amor, a ausência
Para sentir saudade...
É preciso clemência
Para se ter piedade.
É preciso escrever
Para se expressar...
É preciso saber
Para onde voltar.
É preciso ser forte
Para poder morrer...
E a certeza da morte
Para saber viver!



Faz sol e não está quente,
choveu, mas não encharcou.
A árvore da casa em frente,
o vento não desfolhou.

A janela não se abriu
e a moça foi-se embora.
Pensou o tempo e não viu
a chuva que cai lá fora.

O fogo arde e não queima,
a chama já se apagou.
Da aparente calma, a fleima,
há muito já se esgotou.

Adormeceu – não sonhou,
e despertou indolente.
A chuva continuou
a cair, intermitente!

Desceu correndo as escadas,
a solitária senhora.
De camisola rendada,
caminhou – chuva afora...


A saudade ensaia seu destino,
Vela atrás das portas...
É sabor que atormenta os lábios,
Cheiro que  atormenta  o corpo.
O futuro me espreita a cada manhã.
São desejos que evocam imagens do passado,
cristalizadas ao sabor do tempo
que escorrem por entre os sonhos
de possuir-te que ainda não esqueci.
O efêmero converte-se em eterno.
Não apenas os sabores fulgazes
que saboreei no tempo exato
de cada estação
e que ainda recobrem meu corpo ávido
e alma inquieta.
Não apenas os odores das frestas
dos meus encantamentos e assombros
que entorpecem todos os meus sentidos,
numa sinestesia mágica de prazer e dor..
Distraída e desassossegada
sonho-te meu,
agarrando-me às lembranças atrevidas:
audácia e prazer.
Sonho-te meu
no afã da promessa cúmplice
e dos enigmas alados da saudade
que ainda não desvendei.

Um pedaço de mim,
Reclama tempo para viver,
Outro assume a responsabilidade...
E quer apenas trabalhar.

Um pedaço de mim quer viver um grande
Amor, e entrega-se sem medidas...
O outro tem medo,
Já sofreu decepções e por ele,
Nunca mais me apaixonaria...

Um pedaço de mim é brincalhão
E vive rindo, o outro é triste,
Tem momentos de puro isolamento...

Um pedaço de mim quer vencer,
É pura euforia,
Outro quer apenas viver,
Deixar a vida me levar...

Um pedaço de mim sofre
Com a dor dos outros,
O outro quer que eu cuide
Apenas das minhas dores,
"Que não são poucas," que vivo em conflito...

Entre o que eu sou,
E o que eu gostaria de ser,
Entre o que tenho e aquilo
Que gostaria de ter...

E, se um pedaço de mim sente-se satisfeito,
O outro grita por novidades, por consumo,
Por gente, por beijos e amores inconstantes!

Nesse turbilhão, acordo todos os dias,
Tentando unir esses dois lados que coexistem,
Em mim...E que por mais diferentes que sejam,
Ainda assim, só querem mesmo,
O melhor para mim...

Hoje eu junto o ser e o querer,
O que fui e o que desejo ser,
Para cumprimentar a vida...

Essa caixa não foi um presente de Zeus, mas construída cuidadosamente por nós. Durante anos de dedicação e anulação perante a vida, fomos pouco a pouco enchendo nossa caixa de lembranças, insucessos, alegrias, esperança, decepções, amores, vitórias, fracassos, vergonha, desistências, desejos, teimosia, saudade... Mantivemos tudo muito bem guardado, mas a rotina de guardar sentimentos se rompeu quando o inesperado não quis participar daquele jogo. E de repente, estávamos em meio a uma explosão de cores, sons, percepções. Foi o despertar. Como se nosso sangue estivesse mais vivo, como se nossos olhos enxergassem mais e os ouvidos escutassem todos os sons do mundo.
Estamos diferentes. E ver a vida com esse brilho nos tornou especiais, talvez um pouco invulneráveis, como se nada mais nos surpreendesse. Não há medo ou apreensão, só a certeza de que estamos aqui, e de que agora é pra valer!

Há dias que estou ausente:
chegam-me longínquos os ruídos externos,
atravessando camadas e camadas
de mim mesma até meu Eu.

Todo dia me perco,
e todo dia me acho,
descendo até meus internos porões
e retornando depois lentamente,
me tornando matéria, ossos...pele.
Abrindo a porta,
e saindo finalmente à luz!

E quem me vê não imagina:
Que nasço todo dia de mim mesma
e que não sei nesse processo,
e nessa passagem entre os dois mundos

...à qual deles realmente pertenço!

Confissão

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!

(Mário Quintana)


No deserto, perdido, encontrei pegadas
uma trilha quase apagada
pelo suave beijo do vento

Impressas no chão me atraiam
tal qual melodia de sereia
fincada nas dunas
à esperança de me encontrar
meio ao labirinto de areia

 
Em leve dança
uma estrela riscava a noite
me oferecendo um desejo

O coração antecipado
gritou alto o pedido acordando o deserto
antes dos lábios formarem palavras

Ele segue a nova trilha de pegadas
Sem tirar os olhos do céu
Sem duvidar do poder dos astros
Confiando seu sonho
ao colo das estrelas.

Oh !... Gostaria tanto que te lembrasses
Dos dias felizes da nossa amizade,
Nesse tempo, a vida era mais bela
E o sol mais brilhante do que hoje.
As folhas mortas à pá se recolhem,
Bem vês que eu não esqueci.
As folhas mortas à pá se recolhem,
Assim como as lembranças e as mágoas,
E leva-as o vento norte
Na noite fria do esquecimento.
Bem vês que eu não esqueci
Aquela canção que me cantavas…
É uma canção connosco parecida,
Tu, que me amavas, eu que te amava.
Os dois juntos vivíamos
Tu que me amavas, eu que te amava.
Mas a vida separa aqueles que se amam,
Muito devagarinho, silenciosamente
E o mar apaga na areia
Os passos dos amantes separados.
Os dois juntos vivíamos,
Tu que me amavas, eu que te amava.
Mas a vida separa aqueles que se amam,
Muito devagarinho, silenciosamente.
E o mar apaga na areia
Os passos dos amantes separados…


Jacques Prévert

Me and Myself

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Hoje,
Sou criança num corpo crescido...
Navego imensa com as velas içadas,
Sobre um oceano
nem sempre calmo e tranquilo,
nem sempre colorido e divertido
mas tão meu...

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