Alma inexplorada
Por que me cativas à alma?
Que desejos eu tenho sobre o seu todo,
Que em mim não passam de cantadas vis.
E que te inspiram e me seduzem?
Porque estou eu amarrada
A estas correntes invisíveis,
Vivendo sonhos e esperanças,
Milagrando bálsamos curadores?
Por que esperas, ajoelhado,
O chicote macerador de um não?
Por que esperas a maré vazia,
Que te traga o barco perdido?
Que ondas de prazer te invadem,
Nesta dor de afastamento?
Por que baixas os olhos, submisso,
E bebes as minhas lágrimas jorradas?
Que guerra privada geras em ti,
Querendo-me, e sendo ti impossível?
Porque me chamas de em teu leito,
Esta escrava do mórbido passado,
Destroçada de misérias e fugas,
Por que meu coração cavalga louco,
Mesmo em silêncio, se o teu silêncio
Me fere, humilha e derrota a alma?
Por que não admites que nunca te possuí,
Que morri, antes de ter vivido o presente,
E só a minha corrupção moral te seduz?
Liberta-me de tanto por quê?…
Meu poema vago
hoje é dia de um poema triste,
um poema calado, machucado
pelas desilusões da vida
hoje é dia de um poema triste,
um poema quieto e vazio,
um poema sem graça
hoje é dia de um poema triste,
de um poema perdido,
de um poema vendido
sem valor merecido
hoje é dia de uma poema triste,
de uma poema que chora
onde das letras correm as lagrimas
do poeta que escreve
O teu silencio
Corta-me o teu silêncio,
No meio do meu peito...
Como navalha amolada
Cortando aos poucos...
Cruel e gelada.
O teu silêncio me apaga
A única luz que me arrebata
Um silêncio que me cala...
Que me amarra e sufoca
Na forca dos incompreendidos,
No nó que me enrosca.
O teu silêncio queima-me
Com febre de não te ouvir,
Arde como brasa dentro de mim,
Teu silêncio é como fogo
a me consumir.
E nas chamas deste teu silêncio
Resta-me falar por ti...


















