мє αηd мysєłf

мє αηd мysєłf

                              Um Ausente
             
             
                Tenho razão de sentir saudade,
                tenho razão de te acusar.
                Houve um pacto implícito que rompeste
                e sem te despedires foste embora.
                Detonaste o pacto.
                Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
                de viver e explorar os rumos de obscuridade
                sem prazo sem consulta sem provocação
                até o limite das folhas caídas na hora de cair.
                Antecipaste a hora.
                Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
                Que poderias ter feito de mais grave
                do que o ato sem continuação, o ato em si,
                o ato que não ousamos nem sabemos ousar
                porque depois dele não há nada?
                Tenho razão para sentir saudade de ti,
                de nossa convivência em falas camaradas,
                simples apertar de mãos, nem isso, voz
                modulando sílabas conhecidas e banais
                que eram sempre certeza e segurança.
                Sim, tenho saudades.
                Sim, acuso-te porque fizeste
                o não previsto nas leis da amizade e da natureza
                nem nos deixaste sequer o direito de indagar
                porque o fizeste, porque te foste.

 Que queres, menino triste?                                           
que me paras no farol?

Que sonho escuro que viste,
Pois teus olhos não têm sol?
Tua madrasta é a rua,
com seu cimento gelado.
E de noite, nem a lua
te dá um olhar de trocado…
Quem te largou neste mundo,
para catares esmola?
Se roubas, és vagabundo…
Mas quem te roubou a escola?
E quem te arrancou da mão
um brinquedo e uma esperança?
Quem te tirou, sem perdão,
o direito a ser criança?
Tua escola é a calçada,
que freqüentas todo em trapos.
Se o dia não rende nada,
logo apanhas uns sopapos.
Menino, no olhar me imploras
muito mais do que um favor.
Querias que tuas horas
fossem preenchidas de amor!
Mas o que vês são os carros!
Passam depressa, sem dó.
Os sorrisos te são raros.
O Brasil te deixa só.
Minha poesia já chora:
os meninos são milhões.
Será que o povo de agora
perdeu os seus corações?
Vá correndo, minha Musa
pedir ao homem tão duro,
que das riquezas abusa,
que reparta seu futuro!
Poderá haver perdão,
dizei-me vós, Senhor Deus,
para a megera nação
que assim trata os filhos seus?
E a Musa conclama alto,
com resquícios de esperança:
Brasil, não jogues no asfalto
A alma de uma criança!

Me and Myself

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Hoje,
Sou criança num corpo crescido...
Navego imensa com as velas içadas,
Sobre um oceano
nem sempre calmo e tranquilo,
nem sempre colorido e divertido
mas tão meu...

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