Me pego algumas
vezes, impaciente, tentando me lembrar de algumas coisas, das quais eu tenho a
certeza absoluta de que sei... coisas corriqueiras como o nome de uma pessoa, a
continuação da letra da música que está tocando e que eu já cantei tantas
vezes, onde deixei meu celular, onde deixei minha bolsa. Mas essas coisas tão
óbvias, algumas vezes estranhamente me fogem da memória, e não adianta, por
mais que eu tente, não consigo alcançá-las naquele determinado momento.
Outras vezes sou
surpreendida com lembranças inusitadas... Lembranças que não fazem o menor
sentido, que surgem totalmente fora do contexto com o presente, como partes
coloridas em um retrato preto e branco. É estranho lembrar-se de um cheiro
específico, de um sorriso bobo, de um momento sem importância, de um toque... Quando
estou vivendo um momento que não condiz com nenhuma delas. Lembranças de coisas
tão simples, que ficaram esquecidas como retratos velhos, guardados no fundo do
baú de minhas memórias e que surgem aleatoriamente sem serem chamadas e que me
surpreendem por serem tão nítidas, por se fazerem sentir tão próximas a mim... Diria
que se fechasse os olhos, seria possível tocá-las, mas sei que isso não
aconteceria. Já fiquei algumas vezes tocando o ar como quem sente no toque a
presença daquilo que traz de volta tudo àquilo que lhe era importante, que lhe
traz conforto e paz. E é doloroso abrir os olhos e ver que suas mãos não tocam
nada além do vazio.
Nunca sei quando
essas lembranças irão surgir, não sei se há algo que as façam surgir, mas sei
que elas são como sonhos e fazem com que eu sinta, mesmo que apenas por alguns
instantes, vivendo em outro momento, em outro espaço... quem sabe, em outra
vida.

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